quarta-feira, agosto 03, 2005

Não és tu





Era assim tímido esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar;
Corava da mesma cor,
Aquela visão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por toda ela descia
Como um véu que lhe envolvia,
Que lhe adoçava a beleza.

Era assim; e seu falar,
Ingênuo e quase vulgar,
Tinha o poder da razão
Que penetra, não seduz;
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como bonecas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas não és tu... ai! não és:
Toda a ilusão se desfez.
Não és aquela que eu vi,
Não és a mesma visão,
Que essa tinha em meu coração,
Tinha, que eu bem lhe senti.


Almeida Garret

6 comentários:

Caracolinha disse...

Um poema para ler e reler .... muito obrigada pel partilha minha linda ~:o)

Mitsou disse...

Belíssima escolha, linda. Alguém que se lembre do grande Garret. Beijinhos doces :)

(Repito: este Mago é o máximo!)

Squeezy disse...

este poema faz-me lembrar alguem :)

DaJe disse...

Por vezes amámos a pessoa que imaginamos e não a pessoa como realmente é. Expectativas, ilusões...

Vespinha disse...

Ora nem mais...
A ragazza é que tem razão!

Às vezes apaixonamo-nos por aquilo que queremos ver.

Bj da Vespinha

Dilbert disse...

Linda, que surpreza... lindo poema :)
Pois... assim não marco pontos...
aqui ganhas tu... ping ping
Beijokinhas e inté já...